Ansiedade

“Não há nada que desgaste mais o corpo do que a preocupação” ( Mahatma Gandhi).

A ansiedade é um dos problemas emocionais mais urgentes de nossos dias. A ansiedade constitui a base todas as neuroses. O que são neuroses? Trata-se de uma reação exagerada do sistema nervoso em relação a uma experiência vivida.  A Ansiedade é considerada uma neurose quando se trata de uma preocupação exagerada.

Existem pessoas ansiosas de todas as idades, de ambos os sexos e de todas as classes sociais, porém pessoas que apresentam alto grau de ansiedade preocupam-se demasiadamente e vivem evocando situações apavorantes o tempo todo, por conta disso, a ansiedade interfere de modo negativo na vida das pessoas. As pessoas aprendem ao longo da vida, preocupar-se desnecessariamente, pois, acreditam equivocadamente que a preocupação que gera a ansiedade evita que coisas ruins aconteçam.

Devemos pensar nas coisas que estão acontecendo de maneira saudável, interpretando os eventos de uma forma funcional (adequada). Quando não pensamos  no presente, mas sim no futuro estamos sofrendo antecipadamente e desnecessariamente por algo que pode ou não acontecer. Esse processo é desgastante. Exemplo: Ao escolhermos uma fruta para o consumo, qual escolha parece ser a mais adequada? Fruta podre, fruta madura, fruta verde?

Fruta podre = passado

Fruta verde= futuro

Fruta madura= presente.

Viver freqüentemente ansioso é como comer fruta verde o tempo todo.  É claro que nos fará mal.

Quando perceber que está pensando no que poderia acontecer (pensamento futuro) procure ficar no presente. Mantenha seus pensamentos concentrados onde você está no presente momento e no que está acontecendo ao seu redor. Não no que vai acontecer daqui a 1 hora, um dia ou 1 mês.

A ansiedade promove um diálogo interno disfuncional. Nosso modo de perceber a nós mesmos, o mundo, e o futuro pode ser saudável (funcional) ou inadequado ( disfuncional), quando a maneira como nós interpretamos e avaliamos os eventos relacionados a nós mesmos, outros, futuro geram ansiedade podemos concluir que esta avaliação é disfuncional.

A ansiedade é um hábito mental, um padrão de pensamento, que limita a autoconfiança, quando leva a possibilidades ameaçadoras. Ao longo da vida podemos adquirir hábitos errados de pensar através do diálogo interno disfuncional.

Diálogo interno – trata-se de um monólogo interno silencioso com nós mesmos, em geral não nos damos conta dessas conversas internas, porque elas atuam de maneira automática. A ansiedade promove um diálogo interno distorcido.

A ansiedade promove internamente três mecanismos responsáveis pela instabilidade emocional:

  • Mecanismos sabotadores- (responsáveis pela baixa autoestima).
  • Mecanismos perturbadores – (geradores de conflitos, insegurança).
  • Mecanismos potencializadores – (responsáveis por maximizar de maneira negativa as interpretações das situações vivenciadas).

Pessoas ansiosas são inquietas e pessimistas, ficam esperando pequenos sinais de perigo  e os potencializam, transformando-os em uma catástrofe. Esse modo disfuncional de pensar desencadeia as distorções cognitivas.

As  principais distorções cognitivas são:

1. Pensamento de tudo ou nada.  Se os resultados alcançados não são muito bons ou perfeitos, achamos que foi um completo fracasso. Se não conseguimos tudo o que pretendemos, sentimo-nos decepcionados.

2. Generalização excessiva. Retirar conclusões ou regras a partir de pormenores ou de fatos isolados. Vivemos um simples revés como a maior derrota de toda a nossa vida. Se algo não corre bem, pensamos logo que tudo nos vai sair mal.

3. Filtro mental. Escolhemos um pormenor e fixamos a nossa atenção exclusivamente nele, sem repararmos nas restantes coisas que sucedem à nossa volta. Muitas vezes, um pequeno pormenor mancha e obscurece toda a realidade. Quando pintamos um ponto negro num quadro branco, vemos o ponto negro e deixamos de ver o quadro branco. “Já que não consigo ter você ao meu lado, não vale a pena viver”.

4. Desqualificar o positivo e exaltar o negativo. Rejeitamos ou não damos importância aos aspectos positivos e vivemos com excessiva intensidade os negativos. Para nós os aspectos positivos não contam. Os aspectos negativos são muito mais importantes do que os positivos. “Já não posso gozar este dia porque começou a chover de repente”.

5. Retirar conclusões precipitadas. Trata-se de extrair conclusões precipitadas sem dispormos de dados suficientes que as apóiem. “Se não me chama é porque já não se recorda de mim”. Embora a pessoa possa não me chamar, simplesmente, por estar muito ocupada. Há duas variantes clássicas: a) Leitura do pensamento. Julga-se saber o que o outro está pensando, sem verificar se é verdade ou sem lhe perguntar. Julgamos adivinhar os pensamentos dos outros. “Eu sei o que ele está pensando”. b) Roda da sorte. Considerar que alguma coisa nos sairá mal, mesmo na ausência de qualquer indício ou sinal.

6. Exaltar ou minimizar. Exagerar a importância de algumas coisas e retirar importância a outras.

7. Deixar-se levar pelos “tenho que” ou “devo”. Auto-imposições a que nos obrigamos e que, normalmente, não são realistas. “Devo ser simpático com toda a gente”. A nossa motivação é a obrigação de termos de fazer uma coisa qualquer. Justificamos racionalmente para que nada nos afete emocionalmente.

8. Atribuição de culpa: Acreditar que tudo o que acontece de ruim comigo é culpa dos outros. Ex: Não sou uma pessoa bem sucedida porque meus pais erraram na minha educação.

9. Rotular erradamente. É uma forma de generalização excessiva em relação a nós próprios e em relação aos outros. Pomos um etiqueta nos outros e em nós próprios. “Sou um perdedor e você um fracasso”.

10. Personalização. Sentirmo-nos culpados de todos os acontecimentos externos negativos, embora não sejamos, de modo nenhum, responsáveis por eles e, muitas vezes, nada tenhamos a ver com isso. “A separação dos meus pais é culpa minha, por ter tirado más notas”.

11. Atenção seletiva ou cegueira seletiva. Vemos só uma parte da realidade, não vemos o que não nos agrada.

12. Construir hipóteses. Construir hipóteses ruins baseadas nas nossas frustrações  passadas.Ex: E se eu não conseguir?”, “E se o mundo acabar”?.

Ao aprender identificar corretamente esses mecanismos que desencadeiam esse tipo de “pensamento desajustado ”, a pessoa pode agir de forma construtiva sobre o pensamento negativo e, questioná-lo. Ao questionar o pensamento negativo várias vezes, aos poucos este perderá a sua força e será automaticamente substituído por um pensamento mais racional e equilibrado.

Ex: As pessoas não são confiáveis.

Tipo de distorção ( generalização)

Sentimento – insegurança

Comportamento – isolamento

Questionamento: Nenhuma pessoa é confiável?

Pensamento saudável: Existem pessoas confiáveis e pessoas não confiáveis; por isso, não posso generalizar.




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